Mais de 90% dos municípios brasileiros não têm estratégias suficientes contra enchentes e deslizamentos. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis.

A maioria dos 5.570 municípios contam com menos da metade de um conjunto de 25 planos, ações e instrumentos municipais para enfrentar eventos como enchentes, inundações e deslizamentos de encostas.

Entre essas estratégias estão Plano Diretor e Lei de Uso e Ocupação do Solo com prevenção para essas ocorrências, e Mapeamentos de Áreas de Risco. As informações do levantamento têm como base a Pesquisa MUNIC 2020, do IBGE.

No Rio Grande do Sul, das 497 cidades gaúchas, 304 têm menos de 20% das estratégias verificadas. Porto Alegre tem 44% dos 25 instrumentos de prevenção e gestão de riscos climáticos.

Na avaliação de Igor Pantoja, coordenador de relações institucionais do Instituto Cidades Sustentáveis, os dados reforçam a importância dos municípios na gestão e adoção de políticas de prevenção aos fenômenos causados pelas mudanças climáticas.

Igor Pantoja acredita que é possível impor penalizações para os gestores que não elaborarem esse tipo de planejamento, mas defende que o mais importante é a conscientização de todos. O especialista também afirma que é fundamental que os municípios tenham políticas de prevenção e planos de contingência.

A pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis ainda mostra que a população está preocupada com o tema. Quase 80% dos brasileiros acham que as prefeituras podem contribuir para enfrentar os problemas climáticos e que principal medida a ser adotada é a preservação das áreas verdes nas cidades, apontada por 41% dos entrevistados na pesquisa, como destaca Igor Pantoja.

Nas capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes, a poluição do ar, as enchentes e alagamentos foram apontados como os principais problemas, além da poluição dos rios e mares.  Já nas periferias metropolitanas, a população aponta o acesso e qualidade da água como importantes.

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